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| NOTA 6,5 Mais uma vez a Casa Branca é atacada e salva por uma dupla de heróis improvável em ação divertida e que cheira nostalgia |
Todo esse conflito é deflagrado por conta de um bombástico pronunciamento de Sawyer na sede das Nações Unidas a respeito da retirada de tropas militares do Oriente Médio. Então importantes membros do governo são convocados para uma reunião às pressas, entre eles o vice-presidente Alvin Hammond (Michael Murphy) e o próprio Raphelson. Antes disso, logo na abertutra, o presidente está sobrevoando a Casa Branca a bordo de um helicóptero e pede para o piloto realizar um voo panorâmico, uma maneira de apresentar a grandiosidade da propriedade que em poucos minutos veremos em ruínas. Emily escuta o barulho da aeronave e corre para a janela evidenciando seu fascínio por política. Ela até mantém um canal no YouTube sobre o assunto e mostra-se bastante esclarecida para a idade, mas a personagem não vinga. Quando feita de refém limita-se a chorar e é acionada nos minutos finais para um suposto e constrangedor ato heróico. O interesse fica mesmo na relação estabelecida entre herói e protegido em uma relação que lembra bastante a parceria entre Mel Gibson e Danny Glover no primeiro filme da franquia Máquina Mortífera, interpretando personagens de realidades diferentes, mas unidos diante das dificuldades. Aliás, o longa é quase como uma homenagem ao cinema de ação da década de 1980 e a nostalgia trabalha a seu favor. O roteiro de James Vanderbilt carrega muitos elementos que remetem a trama de Duro de Matar. Até o nome do protagonista é um tanto semelhante ao de John McClane vivido por Bruce Willis cuja marcante regate branca deve ter sido emprestada para Tatum cujo drama de ter que reencontrar a filha em meio ao caos substitui a preocupação com a esposa vivida pelo herói no longa oitentista. Aqui o herói também enfrenta praticamente sozinho um grupo de bandidos distribuídos por um único cenário, o que não chega a gerar sensação de claustrofobia, e também tem sempre na ponta língua uma frase espirituosa ou uma piadinha sem graça. E já que o longa de Willis serviu de escola para tantos outros filmes, não é difícil identificar elementos que remetem a produções como Na Linha de Fogo, Força Aérea Um e outras dezenas de obras do gênero cuja diversão oferecida depende do quanto o espectador está disposto a deixar de lado o bom senso. E também não se pode deixar de registrar que aqui temos um retrocesso quanto a participação feminina em longas de ação. Carol Finnerty (Maggie Gyllenhaa), a chefe da segurança pessoal do presidente, é limitada a ficar intermediando conversas entre bandidos e mocinhos via telefone ficando bem longe da adrenalina. Isso sem falar que é óbvio que alguém do próprio governo estará envolvido com o plano terrorista, nada mais óbvio.Após um tempo razoável para apresentar os personagens a fim de criar empatia com o espectador, Emmerich se dedica exclusivamente ao que sabe fazer melhor: filmar perseguições, tiroteios e explosões. Com uma ou outra produção mais elaborada no currículo, como o drama Anônimo ou o épico O Patriota no qual não abre mão do nacionalismo exagerado, mais uma de suas marcas, o diretor é o grande defensor do cinema escapista e bebe na fonte dos filmes-catástrofes tão característicos da década de 1970. Assim, os exageros são fundamentais em suas obras, assim como levar a sério os absurdos. Até as motivações dos vilões pouco importam diante de suas figurar exageradas, todos desequilibrados e com armas sempre em punho para dispararem ao menor sinal de estresse. Emil Stenz (Jason Clarke), o chefe dos terroristas, é o caricato criminoso, anabolizado, tatuado e com cara fechada, a figura ideal que todos gostam de odiar. Aliás, todos os personagens são estereotipados, inclusive as relações estabelecidas entre eles, como a difícil relação entre Cale e a filha fruto de um relacionamento desfeito até a redenção ao final com a garota finalmente o chamando de pai. Isso é previsível, assim como sabemos que os protagonistas vão ser baleados, violentados e enfrentar explosões e praticamente saírem ilesos de todas as emboscadas. O Ataque não traz absolutamente nada que já não tenha sido apresentado em outros blockbusters made in Hollywood e recicla as fórmulas do próprio cinema de Emmerich que vê suas produções simplesmente como grandes brincadeiras. Mesmo trabalhando no piloto automático, afinal o público já sabe o que esperar de suas fitas, ele consegue prender a atenção com suas histórias que não raramente ultrapassam duas horas de duração quando a maioria dos diretores tem dificuldades para segurar a ação por cerca de 90 minutos. Em meio a tanta adrenalina deixamos passar algumas incongruências como a facilidade dos terroristas colocar o plano em prática, as mil coincidências para que tudo se encaixe perfeitamente e até mesmo o fato do presidente entrar na briga. Aliás, tal figura fazendo alusão ao então manda-chuva Barack Obama, serve quase como um alívio cômica à trama. No geral, uma diversão que já nasceu com sabor de nostalgia. E isso é um elogio.
Ação - 131 min - 2013



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